Alfabetização Financeira

Na sexta-feira 03/10/2014 aconteceu no Insper em São Paulo a apresentação da Dra. Annamaria Lusardi, Ph.D., professora da George Washinton University, nos EUA. Ela falou sobre a importância de Financial Literacy, que é a alfabetização financeira, e que reflete o domínio que as pessoas têm sobre as finanças pessoais.

Baseada em pesquisas realizadas em diversos países, ela identificou um baixo domínio sobre finanças pessoais de forma geral, e sobretudo no grupo de jovens profissionais, entre 20 e 35 anos, e principalmente mulheres. A pesquisa também identificou que o conhecimento cresce ao longo da vida, e que pessoas em idade próxima à aposentadoria, por volta de 60 anos, têm melhor domínio sobre ferramentas financeiras do que os jovens.

Isso mostra a urgência e o desafio de disseminar a educação financeira pelo mundo. Os principais fatores dessa necessidade são a falta de conhecimento básico sobre ferramentas usadas no dia-a-dia ao tomar decisões financeiras que impactam a vida das pessoas e o crescente aumento do número e complexidade dos instrumentos financeiros disponíveis no mercado.

Essas também foram as bases para a criação da Certificação CFP® nos EUA há 40 anos. O grupo de profissionais que organizou a atividade de planejamento financeiro pessoal e a base de conhecimento necessária para exercê-la também se baseou na falta de conhecimento das pessoas e no crescente aumento da complexidade e número de instrumentos financeiros que surgiram no mercado financeiro norte-americano após a segunda guerra mundial.

O que as pesquisas da Dra. Bernardi mostram em números já era sabido pelo mercado financeiro e pelas pessoas de forma geral. Então como podemos mudar essa realidade de forma rápida e duradoura? O quê de mais interessante a Dra. Bernardi nos trouxe foi a separação entre os conceitos de conhecimento financeiro e do comportamento das pessoas ao tomar decisões financeiras. O conhecimento financeiro diz respeito às ferramentas que podem e/ou devem ser usadas ao se tomar decisões financeiras. São duas coisas diferentes mas complementares. Ela disse que a base é dar às pessoas o conhecimento sobre finanças pessoais, e depois trabalhar a mudança de comportamento através da atenção plena (mindfulness, no termo em inglês).

Como base para trabalhar a educação financeira pessoal ela disse que devemos usar a escola e o ambiente de trabalho. A pesquisa da Dra. Bernardi ainda não foi aplicada no Brasil, mas por aqui, felizmente já começamos a ver um movimento de inclusão de educação financeira nas escolhas da rede pública, projeto ainda na fase piloto, e também uma procura cada vez maior por educação financeira pelas empresas, que estão preocupadas com o alto nível de endividamento de seus funcionários, o que os leva a render menos devido à preocupação com as dívidas.

Na contra mão da política econômica do governo federal, o objetivo da onda de educação financeira, que ainda é pequena mas já está em curso em nosso país, visa ensinar às pessoas a tomar melhores decisões financeiras ao lidar com dinheiro, para que elas consigam consumir de forma consciente, aumentando o seu poder de poupança e reduzindo o endividamento. O resultado será que as pessoas serão capazes de planejar melhor sua vida financeira para que ela seja sempre saudável.

Cabe falar aqui, que ao contrário do que diz a sabedoria popular preconceituosa no Brasil, não são os bancos os vilões da história que cobram juros altos, mas sim a falta de educação financeira que não dá às pessoas ferramentas para tomar melhores decisões financeiras e se responsabilizar pelos seus atos e escolhas. Os bancos são empresas, como qualquer outra, e estão entre os maiores empregadores do Brasil. As pessoas precisam aprender a escolher o que querem para suas vidas, inclusive escolher o seu fornecedor de serviços financeiros, quer dizer, o seu banco, e como, quando e para quê vão usar seu dinheiro.

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Sobre Lavínia Martins, CFP®

Planejadora Financeira, autora e palestrante sobre Finanças Pessoais, possui a Certificação CFP® desde 2010, é ex-sócia da FinPlan Consultoria e Gestão Financeira, possui 12 anos de experiência no mercado financeiro, atuando com planejamento financeiro pessoal e gestão patrimonial, e 3 anos em finanças corporativas de multinacionais como Louis Dreyfus Commodities e Rohm and Haas Química (hoje parte do grupo Dow Química). Especialista em Gestão de Patrimônio Familiar pela Columbia University, com pós-graduação em Finanças pelo IBMEC-São Paulo/Insper e graduação em Administração de Empresas pela PUC-SP.
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