Como sair de uma vez por todas das dívidas

Mais uma vez reciclando e voltando ao assunto do Crédito. Este artigo foi publicado no jornal Valor Econômico na coluna Consultório Financeiro em 25/08/2014:

Fiz dívidas no cartão de crédito e no consignado. Em outras palavras me descontrolei e estou mantendo meu padrão de vida, mas minha família não sabe da minha situação. Neste momento crítico minha filha fará 15 anos e quer dar uma festa, cujo orçamento equivale a 4 meses do meu rendimento.  Gostaria de uma orientação para sair dessa situação e conseguir colocar minha vida financeira em ordem novamente.

Lavínia Martins, CFP: Caro leitor, é comum em alguns momentos da vida se descontrolar e fazer muitas dívidas, o mais importante é que você já tem a consciência de que esta situação é um problema e de que pode se agravar. Para conseguir voltar a ter uma vida financeira saudável o primeiro passo é não fazer novas dívidas. Em seguida é pensar em como pagar as dívidas já assumidas, programando o valor do pagamento de todas elas dentro do seu orçamento. Em alguns casos é possível renegociar a dívida, para isso você deveria entrar em contato com o detentor dela e renegociar os parâmetros do contrato, uma ideia seria alongar o prazo e reduzir a parcela mensal do valor a pagar, para que ele caiba no seu orçamento mensal, sem engessá-lo.

Com relação ao cartão de crédito, ele é um meio de pagamento e na fatura estão todas as dívidas que você assumiu com diversos fornecedores. Se você estiver pagando apenas o mínimo do valor da fatura, você está rolando uma dívida enorme com a administradora do cartão, e essa é a taxa de juros mais cara que existe no mercado hoje, a pior dívida que se pode fazer. Neste caso, seria mais interessante trocar esta dívida por outra mais barata, como por exemplo, tomar um crédito pessoal no seu banco, com um custo de juros mais baixo que o do cartão, pagar a dívida do cartão com o valor do crédito pessoal, e passar a pagar mensalmente a nova dívida. Lembrando que o valor mensal da dívida do crédito pessoal deve ser compatível com o seu orçamento mensal sem enforcá-lo. Ao invés disso, você também pode tentar tomar um empréstimo em uma cooperativa de crédito ou em outro banco que ofereça uma taxa de juros mais barata que a do seu banco. Você deveria pesquisar qual é o juro mais barato para reduzir o valor que terá de pagar com a dívida.

Com relação a sua família, você deveria enfrentar o medo de conversar com ela, explicar o momento pelo qual está passando, e pedir a colaboração de todos no sentido de não assumir novas dívidas até que as dívidas atuais sejam completamente pagas. Se hoje você não tem condições de custear a festa de 15 anos dos sonhos da sua filha, ela deveria compreender isso. Você pode propor fazer um bolo em casa com alguns amigos neste ano, e assim que você tiver reorganizado a sua situação financeira, fazer uma poupança específica para a realização do sonho dela de fazer uma grande festa de aniversário com vestido de baile!

Depois que você terminar de pagar as suas dívidas, o valor que estiver destinando a elas deve ser direcionado para a composição da sua reserva financeira, que é a poupança que precisamos ter para suprir a necessidade de renda em períodos futuros. Ela deve ser pensada assim:

  1. Reserva de Emergência: equivalente a 12 vezes o seu custo de vida mensal, para cobrir períodos de desemprego, acidente, doença grave, ou qualquer eventualidade que acontecer na família. Se este dinheiro não for usado ao longo da vida, no futuro ele irá compor a sua reserva para aposentadoria.
  2. Reserva de Manutenção: para cobrir custos com manutenção da casa, carro, seguros e impostos (IPTU, IPVA, licenciamento de veículo).
  3. Reserva dos Sonhos: os sonhos são experiências de vida (festa de 15 anos, faculdade, pós-graduação, viagens) ou desejos de consumo (carro, casa). Ela deve ser do tamanho dos seus sonhos! É mais vantajoso poupar o dinheiro para realizá-los do que fazer dívida. A dívida os faz custar mais caro, e às vezes você paga até 2 vezes o valor do sonho por causa dela!
  4. Reserva de Aposentadoria: deve ser o suficiente para pagar o seu custo de vida no futuro quando você não puder mais trabalhar. Isso pode ser um período de 10 ou 30 anos. Não sabemos…

Uma vida financeira saudável requer gastar menos do que você ganha, poupar para o futuro, e consumir com responsabilidade. Planeje sempre!

Sobre Lavínia Martins, CFP®

Planejadora Financeira, autora e palestrante sobre Finanças Pessoais, possui a Certificação CFP® desde 2010, é ex-sócia da FinPlan Consultoria e Gestão Financeira, possui 12 anos de experiência no mercado financeiro, atuando com planejamento financeiro pessoal e gestão patrimonial, e 3 anos em finanças corporativas de multinacionais como Louis Dreyfus Commodities e Rohm and Haas Química (hoje parte do grupo Dow Química). Especialista em Gestão de Patrimônio Familiar pela Columbia University, com pós-graduação em Finanças pelo IBMEC-São Paulo/Insper e graduação em Administração de Empresas pela PUC-SP.
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